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  Teresina, 04 de setembro de 2010 - 23:14:23 Mapa Editorial Missão Quem somos Fale conosco
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A HISTÓRIA, O "RIO" E O PIAUÍ


BARRAGEM ALGODÕES EM 2007

As recentes catástrofes que atingiram o Rio de Janeiro servem como um alerta para o mundo sobre as reações da natureza à ocupação desordenada dos espaços pelo ser humano que acontece desde sempre.
No Piauí essa realidade não é diferente. Duas situações bem recentes são o exemplo disso: As cheias do rio Parnaíba e o rompimento da barragem algodões.
No primeiro caso temos uma situação que repete-se anualmente: famílias desabrigadas e as medidas paliativas dos governos. De quem será a culpa? Do rio que tem suas cheias regulares e previsíveis ou de quem ocupa desordenadamente o espaço? Saraiva em 1852 quando efetuou a mudança da cidade para a chapada do corisco já foi estratégico em saber que num local alagadiço não era possível planejar o nascimento de uma Cidade. Hoje o avanço urbano de Teresina já atravessou o rio e ocupou suas margens.
Mas vem a pergunta. Porque as pessoas moravam na margem do rio quando Saraiva chegou por aqui? Elas eram desinformadas ou não respeitavam a natureza? O contexto histórico é bem diferente! A comunidade da Vila Velha do Poty vivia exclusivamente da agricultura e da Pesca. A Teresina de hoje, pólo de negócios, saúde e eventos não precisa estar navegando no rio, mas ainda vive dele e por isso precisa respeitá-lo. Portanto, sabendo que é histórico o comportamento das águas já devia saber planejar a ocupação.
Quando à segunda questão, embora se trate de uma fatalidade, a desconsideração com o fator natural também é presente. O desconhecimento do comportamento do rio Piranji talvez seja uma das principais causas do desleixo. Como rota de acesso a missões colonizadoras, desde o século XVII que são temidas as corredeiras e violência das águas que descem do alto da ibiapaba, onde se localizou um dos principais focos de ocupação do norte do Piauí e Ceará no período colonial: a missão jesuítica de São Francisco Xavier. As nascentes do Piranji e seus tributários estão localizadas há cerca de 600 metros de altitude, portanto as noções mais elementares de física permitem entender o comportamento deste rio e conviver em harmonia com sua manifestações.
É preciso exigir do poder público que as políticas desenvolvimentistas e os projetos sociais do governo sejam de acordo com o potencial e as características do bioma, mas, acima de tudo, é preciso que cada pessoa tenha a consciência de que faz parte do ambiente como elemento dele e que suas ações interferem diretamente nos comportamentos da natureza.

Notícia publicada em 12/04/2010 às 03:04:25