Estação Piauí
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   Editorial - Fevereiro de 2005

Integração regional piauiense, o caminho para o desenvolvimento

 

É irrefutável o eminente desenvolvimento da região sul do Piauí, e mais especificamente dos cerrados piauienses, os números e estatísticas ratificam esse visível desenvolvimento, a utilização dos cerrados piauienses, principalmente com o plantio da soja tem competido diretamente para o aumento no PIB, que nos últimos anos vem ultrapassando o de estados de maior destaque no Nordeste, a vasta utilização dos cerrados piauienses, na ordem de aproximadamente 11,5 milhões de hectares, torna-se sem dúvida um grande atrativo para agricultores e empresas de diversas partes. A região dos cerrados piauienses é ainda  extremamente privilegiada naturalmente, haja vista que a região Sudoeste do estado, onde se localizam as cidades de Uruçuí e Bom Jesus é considerada a que possui o segundo maior lençol freático do mundo, fator, que aliado a outros privilégios naturais, como relevo predominantemente plano, fazem com que a produção nos cerrados piauienses cheguem a cifra de 40 sacas de soja por hectare, média maior que a maioria dos estados brasileiros produtores de soja.

A força da agricultura na economia piauienses também é ratificada ao passo que observamos o desempenho das exportações piauienses, principalmente a partir da década de 90, onde o estado despontou no cenário nordestino, com uma taxa média anual de exportação de 4,74%. Os cerrados piauienses apresentam-se como uma força motriz no processo de desenvolvimento do estado do Piauí, entretanto faz-se necessário uma análise sobre a integração regional, principalmente no que tange a integração dos cerrados piauienses no cenário sócio-econômico estadual.

A incipiente integração, que vai do campo político ao físico, pode ser observada claramente, ao se deparar com a frágil ligação do povo com a própria capital do estado bem como com o governo enquanto poder, as idéias separatistas, quase unânimes, podem ser entendidas quando observadas por este prisma, pois é inaceitável que uma região tão próspera seja deixada de lado dentro do contexto estadual, a importância econômica dos cerrados é inquestionável, entretanto é necessário também analisar, sem xenofobismo e com muito patriotismo, a condição sócio-econômica da população piauienses que habita os cerrados em detrimento aos produtores oriundos de outras regiões, o patriotismo, quando aliado ao bom senso, pode ser um bom indicativo para o desenvolvimento pleno da região.

Para reintegrar o atual estágio de desenvolvimento da região sul do Piauí, um interessante paradigma, é a cidade de Bom Jesus, situada a 600 km da capital e emancipada no ano de 1938. A próspera cidade de Bom Jesus, situada as margens do rio Gurguéia, apesar de possuir uma população de apenas 15 mil habitantes apresenta um estágio de desenvolvimento incomum dentro do contexto estadual, sua economia atrela-se diretamente à utilização dos cerrados, sobretudo com a cultura da soja, que diretamente atrai investimentos e concomitantemente compete para o crescente desenvolvimento da cidade. Porém é visível a necessidade de uma maior aproximação do estado desde o campo da comunicação até o político, dotando ainda a região de maior infra-estrutura, pois integração e desenvolvimento caminham pari passu. O citado exemplo poderia ainda ser estendido a outros pólos de desenvolvimento nos cerrados como a cidade de Uruçuí, e a tantas outras que convivem com grandes projetos como o experimental biodiesel na cidade de  Eliseu Martins, o certo é que a necessidade de uma maior aproximação do estado no processo de desenvolvimento dos cerrados piauienses é improtelável, a integração física e política é fundamental ao desenvolvimento da região bem como a consolidação de uma economia piauiense mais dinâmica.

Reginaldo Muniz
Editor Estação Piauí